14/07/2010
Planos de Governo
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Existem ideias ambíguas na política. Todo mundo concorda que são relevantes, mas ninguém as aplica. Embora importantíssimas no discurso, querem dizer muito pouco na prática.
Um bom exemplo disso é a noção de “plano de governo”. Todos os personagens do processo eleitoral – eleitores, candidatos, magistrados, a imprensa – proclamam sua centralidade. Nenhum, no entanto, mostra que acredita mesmo nela através de condutas concretas.
A importância retórica dos planos de governo faz parte do senso comum do eleitor. Pobre ou rico, educado ou inculto, jovem ou maduro, todos afirmam que escolhem seus candidatos depois de “ouvir suas propostas”. Não são apenas as pessoas de alta escolaridade que dizem fazer assim, por ser isso o “correto” e o que se espera de cidadãos conscientes. Inversamente ao que apregoam os que insistem em ver o eleitor popular como ingênuo e tolo, mesmo os mais humildes têm esse discurso.
Na hora H, porém, as coisas mudam. Será que existe um eleitor tão desprovido de sentimentos que toma suas decisões de voto em função da comparação fria das propostas? Será que existem, na vida real, pessoas tão informadas que conseguem diferenciar boas e más sugestões para cada política? Será que, se existem, são em número que afete o resultado de uma eleição?
Isso para não dizer que é grande a proporção de pessoas que chega à reta final da eleição com ideias amadurecidas, antes que os candidatos tenham sequer apresentado seus planos. São os eleitores que possuem “lado”, identidades políticas e partidárias. Para esses, a decisão sobre em quem votar está tomada de véspera, pouco interessando se seu candidato tem ou deixa de ter a melhor proposta para o emprego, a segurança ou a saúde pública.
Agora, por exemplo. Terá alguém informação sobre o que Dilma ou Serra propõem para cada setor? Que sabe o que pretendem? No entanto, nas pesquisas, mais da metade dos eleitores já possui candidato na pergunta espontânea, o que costuma ser uma boa indicação do voto consolidado.
O curioso é que o desinteresse caminha de braços dados com a indefinição, e esta procura se justificar pelo desconhecimento das “propostas dos candidatos”. Ou seja, quem mais diz que as precisa conhecer são os que menos se expõem à comunicação das campanhas e os mais propensos a continuar a ignorá-las até o dia da eleição.
Resumindo: os interessados não precisam de “planos de governo” para se decidir e os desinteressados não vão nunca saber quais são.
Se, do lado dos eleitores, na prática, as “propostas” contam pouco, do lado dos candidatos as coisas não são diferentes. Cientes de que as pessoas dizem que são importantes apenas da boca para fora, eles costumam tratá-las como uma obrigação incômoda, um ritual inevitável, mas de pequena utilidade.
Quando começa a propaganda eleitoral na televisão, os “planos de governo” só servem para uma coisa: viram calhamaços (normalmente bem encadernados) que os candidatos exibem como prova de que “têm (muitas) propostas”. O que está lá dentro, ninguém sabe.
Para consumo externo e utilização pelas equipes de marketing, as filigranas e detalhes são irrelevantes. O que se quer são três, quatro, no máximo, cinco “ideias força”, que possam ser repetidas à exaustão. Na ausência delas, os marqueteiros, simplesmente, as inventam. Quem não se lembra do “fura-fila” de Celso Pitta, criação da fértil imaginação de Duda Mendonça? Não fazia parte das propostas do futuro prefeito de São Paulo, surgiu na campanha, mas foi fundamental para que vencesse.
Desimportantes para eleitores e políticos, os planos de governo entraram, este ano, na lista de exigências que os candidatos têm que satisfazer para obter registro na Justiça Eleitoral. É mais uma idiossincrasia da legislação brasileira, tão pródiga em inovações despropositadas e faz parte de nossa tradição cartorialista, para a qual a palavra escrita tem uma espécie de imponência. Como se os candidatos se sentissem obrigados a cumpri-los apenas por que foram arquivados na burocracia de algum tribunal!
O triste, para os “planos”, é que nem a Justiça os leva a sério. Dilma e Serra juntaram o que estava em cima de suas mesas, sem sequer se dar ao trabalho de ler o que enviavam para cumprir o rito. Em lá chegando, ganharam um carimbo e ficou tudo por isso mesmo, apesar dos protestos da imprensa.
domingo, 19 de setembro de 2010
A Sucessão nos Estados
11/07/2010
A Sucessão nos Estados
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Popul
Se o retrato que as atuais pesquisas estaduais pintam se confirmar, o país que teremos a partir de 2011 será muito semelhante ao de hoje. Pelo menos no tocante aos governos dos estados, pois tudo indica que o Senado ficará diferente.
De norte a sul, o tom que domina as sucessões, nos estados para os quais dispomos de dados, é de continuidade. São vários os governadores da safra de 2006 que disputam a reeleição, muitos com favoritismo e possibilidade de vitória no primeiro turno, outros enfrentando eleições menos tranquilas.
A eles se somam os vices que assumiram o cargo este ano, depois da desincompatibilização dos titulares, que saíram, quase todos, para se candidatar ao Senado. Neles, a marca da continuidade continua forte, mesmo quando enfrentam sua primeira eleição.
O caso mais notável de descontinuidade é o do Rio Grande do Sul, o único estado em que nem quem está no governo, nem alguém vinculado a ele, disputa com chances. A governadora Yeda Crusius não conseguiu fazer com que a opinião pública gaúcha se reconciliasse com ela, termina mal seu mandato e, embora concorra, está muito atrás dos líderes das pesquisas. Em si, a falta de perspectiva de reeleição não é de estranhar, pois se contam nos dedos os políticos de seu estado que conseguiram renovar seu mandato (um deles, aliás, é José Fogaça, ex-prefeito reeleito de Porto Alegre, que está taco a taco com Tarso Genro).
O máximo de continuidade é, paradoxalmente, do maior estado, daquele que mais perto está do chamado Primeiro Mundo. Ao contrário de confirmar, nas eleições estaduais, o que se espera de uma sociedade moderna, a política de São Paulo tem ficado cada vez mais parecida com a dos estados tradicionais. Lá, a se manter a vantagem de Alckmin sobre Mercadante, o PSDB chegará a 2014 comemorando seu vigésimo aniversário no Palácio dos Bandeirantes.
Nenhuma oligarquia dos estados pobres do Norte/Nordeste conseguiu tamanha proeza no Brasil contemporâneo. Depois da redemocratização, nem os Antonio Carlos, os Sarney, os Amazonino Mendes, os Siqueira Campos, os Lavoisier ou os Maia, chegaram nem perto. Nenhum deles teve tanta competência para se manter no poder. E o engraçado é que são os tucanos de São Paulo os que mais advogam a alternância como remédio para os males de nossa administração pública.
Devem se reeleger sem susto os governadores do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco, do Ceará, do Mato Grosso do Sul e a governadora do Maranhão.
Também favoritos, mas em cenário mais competitivo, os de Sergipe e da Paraíba. Em Alagoas, Teotônio Vilela disputará uma eleição complicada, agora ainda mais, com a entrada de Fernando Collor no páreo.
Em Minas Gerais, Hélio Costa está bem à frente de Antonio Anastasia, que assumiu o governo com a renúncia de Aécio. Ninguém que acompanha a política mineira, no entanto, considera que sua vantagem é estável. Como no caso da eleição presidencial, o desconhecimento sobre o candidato do PSDB faz com que os números das pesquisas de agora tenham que ser vistos com cautela. É muito possível que Aécio faça por ele o mesmo que Lula por Dilma.
Existem outros casos de vices que se tornaram governadores e disputam com chances (como no Mato Grosso, no Piauí e no Amazonas), de ex-governadores voltando (como em Goiás) e alguns lugares imprevisíveis, uns que sempre foram (como Santa Catarina e o Pará), outros que se tornaram, como o Paraná. Lá, parecia que Beto Richa talvez nem tivesse adversário e agora tem, por sinal forte: Osmar Dias. Há, ainda, mudanças que nada são além de continuidade, como a do Acre, onde Tião Viana deve ganhar.
Mas, na hora em que for feita, em 2011, a foto dos governadores no seu encontro com o novo (ou a nova) presidente, o retrato não ficará muito diferente do atual, mesmo que alguns novos rostos apareçam. No fundamental, pouca coisa vai mudar (salvo, é claro, se alguma surpresa sobrevier).
Já no Senado, é certo que teremos grandes mudanças, muitas para melhor. Nos dois terços que serão renovados, virão ex-governadores, ex-prefeitos, pessoas experientes e lideranças respeitadas nos seus estados e no país. Vários furos acima da média da atual legislatura, que vai embora sem deixar saudade.
A Sucessão nos Estados
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Popul
Se o retrato que as atuais pesquisas estaduais pintam se confirmar, o país que teremos a partir de 2011 será muito semelhante ao de hoje. Pelo menos no tocante aos governos dos estados, pois tudo indica que o Senado ficará diferente.
De norte a sul, o tom que domina as sucessões, nos estados para os quais dispomos de dados, é de continuidade. São vários os governadores da safra de 2006 que disputam a reeleição, muitos com favoritismo e possibilidade de vitória no primeiro turno, outros enfrentando eleições menos tranquilas.
A eles se somam os vices que assumiram o cargo este ano, depois da desincompatibilização dos titulares, que saíram, quase todos, para se candidatar ao Senado. Neles, a marca da continuidade continua forte, mesmo quando enfrentam sua primeira eleição.
O caso mais notável de descontinuidade é o do Rio Grande do Sul, o único estado em que nem quem está no governo, nem alguém vinculado a ele, disputa com chances. A governadora Yeda Crusius não conseguiu fazer com que a opinião pública gaúcha se reconciliasse com ela, termina mal seu mandato e, embora concorra, está muito atrás dos líderes das pesquisas. Em si, a falta de perspectiva de reeleição não é de estranhar, pois se contam nos dedos os políticos de seu estado que conseguiram renovar seu mandato (um deles, aliás, é José Fogaça, ex-prefeito reeleito de Porto Alegre, que está taco a taco com Tarso Genro).
O máximo de continuidade é, paradoxalmente, do maior estado, daquele que mais perto está do chamado Primeiro Mundo. Ao contrário de confirmar, nas eleições estaduais, o que se espera de uma sociedade moderna, a política de São Paulo tem ficado cada vez mais parecida com a dos estados tradicionais. Lá, a se manter a vantagem de Alckmin sobre Mercadante, o PSDB chegará a 2014 comemorando seu vigésimo aniversário no Palácio dos Bandeirantes.
Nenhuma oligarquia dos estados pobres do Norte/Nordeste conseguiu tamanha proeza no Brasil contemporâneo. Depois da redemocratização, nem os Antonio Carlos, os Sarney, os Amazonino Mendes, os Siqueira Campos, os Lavoisier ou os Maia, chegaram nem perto. Nenhum deles teve tanta competência para se manter no poder. E o engraçado é que são os tucanos de São Paulo os que mais advogam a alternância como remédio para os males de nossa administração pública.
Devem se reeleger sem susto os governadores do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco, do Ceará, do Mato Grosso do Sul e a governadora do Maranhão.
Também favoritos, mas em cenário mais competitivo, os de Sergipe e da Paraíba. Em Alagoas, Teotônio Vilela disputará uma eleição complicada, agora ainda mais, com a entrada de Fernando Collor no páreo.
Em Minas Gerais, Hélio Costa está bem à frente de Antonio Anastasia, que assumiu o governo com a renúncia de Aécio. Ninguém que acompanha a política mineira, no entanto, considera que sua vantagem é estável. Como no caso da eleição presidencial, o desconhecimento sobre o candidato do PSDB faz com que os números das pesquisas de agora tenham que ser vistos com cautela. É muito possível que Aécio faça por ele o mesmo que Lula por Dilma.
Existem outros casos de vices que se tornaram governadores e disputam com chances (como no Mato Grosso, no Piauí e no Amazonas), de ex-governadores voltando (como em Goiás) e alguns lugares imprevisíveis, uns que sempre foram (como Santa Catarina e o Pará), outros que se tornaram, como o Paraná. Lá, parecia que Beto Richa talvez nem tivesse adversário e agora tem, por sinal forte: Osmar Dias. Há, ainda, mudanças que nada são além de continuidade, como a do Acre, onde Tião Viana deve ganhar.
Mas, na hora em que for feita, em 2011, a foto dos governadores no seu encontro com o novo (ou a nova) presidente, o retrato não ficará muito diferente do atual, mesmo que alguns novos rostos apareçam. No fundamental, pouca coisa vai mudar (salvo, é claro, se alguma surpresa sobrevier).
Já no Senado, é certo que teremos grandes mudanças, muitas para melhor. Nos dois terços que serão renovados, virão ex-governadores, ex-prefeitos, pessoas experientes e lideranças respeitadas nos seus estados e no país. Vários furos acima da média da atual legislatura, que vai embora sem deixar saudade.
O problema dos ex
08/07/2010
O problema dos ex
Marcos Coimbra
Poderíamos aprender com os americanos a lidar com os que ocuparam a Presidência da República. Lá eles não incomodam
Um dos problemas brasileiros (certamente não o maior) são nossos ex-presidentes. Vira e mexe, um deles causa algum embaraço. Fala o que não deve, se comporta de maneira inconveniente, dá maus exemplos.
Poderíamos aprender com os americanos a lidar com eles. Lá, faz tempo que não incomodam. Os contribuintes pagam para que não sejam forçados a lutar pela sobrevivência, lhes dão um gordo estipêndio e provêm a todos de amplas condições para que se dediquem a fazer nada.
Ficam à frente de suas fundações, disponíveis para missões humanitárias, participações esporádicas no debate público e, se tiverem aptidão, enriquecer no circuito internacional de palestras e consultorias. Os que terminam bem seus mandatos, como Bill Clinton, continuam a merecer o carinho de todos. Os que não, somem (como o último Bush).
Por aqui, quanta diferença! José Sarney zelava pela liturgia do cargo até no corte de seus jaquetões. Se tivesse o mesmo cuidado com verbas públicas e nomeações depois que saiu do Planalto, ninguém reclamaria dele. Fernando Collor era tão jovem e ficou tão pouco tempo no cargo que era natural que quisesse disputar outras eleições. O que não precisava é que fossem tantas, desde projetos bizarros como a prefeitura de São Paulo, ao de agora, de mais uma tentativa de voltar ao governo de Alagoas. Nessa vontade de permanecer a todo custo na vida política, Itamar Franco se parece com ele. Já foi governador de Minas Gerais e, neste ano, pretende ser senador outra vez, mesmo sabendo que o tempo passa para todos.
Ainda bem que os presidentes-ditadores tiveram a boa educação de morrer. Dá para imaginar o que seria se tivessem a longevidade de um Oscar Niemeyer? Contando todos, inclusive os três da Junta Militar, até seis poderiam estar vivos, dois (Geisel e Figueiredo) provavelmente. Quantas conspirações e articulações não estariam fazendo!
E Fernando Henrique? O mais recente e mais ilustre?
Faz tempo, mas FHC já foi considerado o mais importante cientista social do País. Todos gostavam dele, alguns com a exuberância de Glauber Rocha, que o chamava de “príncipe da sociologia brasileira”. E não era só no Brasil que tinha renome. Era respeitado internacionalmente, autor de livros que marcaram mais de uma geração.
De quem esperar uma atuação notável como ex-presidente senão daquele que mais se distinguira antes de assumir o cargo? Com sua biografia, era natural esperar que estabelecesse o padrão para seus sucessores. Depois dele, todos saberiam o que era ser um ex-presidente da República.
Semana passada, Fernando Henrique publicou mais um artigo, como tem feito com frequência nos últimos meses. É sua maneira de intervir no debate sucessório, pois a campanha Serra vê com preocupação qualquer movimento seu de maior aproximação. Ela já tem problemas de sobra com a administração da imagem negativa do ex-presidente e não quer que o candidato seja ainda mais identificado com ele.
No texto, intitulado “Eleição sem maquiagem”, FHC rea-liza uma proeza de malabarismo intelectual: consegue ser, ao mesmo tempo, um sociólogo que abdicou da sociologia e um ex-presidente que não governou.
Chega a ser fascinante ver como descreve os graves riscos que confrontam hoje o Brasil, aos quais o governo Lula estaria respondendo com uma atitude de otimismo irresponsável: “Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz”. Para ele, “a encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que ela diga, especialmente o que o mercado e os parceiros internacionais querem ouvir”.
O comentário é misógino, pois ele nunca se referiria a questões de aparência se o PT tivesse um homem como candidato (por mais vaidoso e preocupado com a aparência que fosse) e não uma mulher. Seu tom choca quem conheceu o Fernando Henrique soció-logo, sempre progressista.
Mas o mais extraordinário é ver como apagou da memória o que foi seu governo e as duas eleições presidenciais que ganhou. Será que esqueceu de como aconteceu sua primeira vitória, uma avalanche provocada pelo Real- lançado 90 dias antes, naquela que foi a eleição onde fatores não políticos mais interferiram no resultado? Será que não lembra como foi a reeleição, escorada em um câmbio artificialmente mantido pelos “parceiros internacionais”, que estourou três meses depois da apuração dos votos?
É ótimo que proponha eleições sem maquiagem. Mas é impossível levá-lo a sério, enquanto não estiver disposto a enfrentar suas verdades. Como ele mesmo diz: assumir a responsabilidade pelo que fez e deixou de fazer, mais do que falar.
O problema dos ex
Marcos Coimbra
Poderíamos aprender com os americanos a lidar com os que ocuparam a Presidência da República. Lá eles não incomodam
Um dos problemas brasileiros (certamente não o maior) são nossos ex-presidentes. Vira e mexe, um deles causa algum embaraço. Fala o que não deve, se comporta de maneira inconveniente, dá maus exemplos.
Poderíamos aprender com os americanos a lidar com eles. Lá, faz tempo que não incomodam. Os contribuintes pagam para que não sejam forçados a lutar pela sobrevivência, lhes dão um gordo estipêndio e provêm a todos de amplas condições para que se dediquem a fazer nada.
Ficam à frente de suas fundações, disponíveis para missões humanitárias, participações esporádicas no debate público e, se tiverem aptidão, enriquecer no circuito internacional de palestras e consultorias. Os que terminam bem seus mandatos, como Bill Clinton, continuam a merecer o carinho de todos. Os que não, somem (como o último Bush).
Por aqui, quanta diferença! José Sarney zelava pela liturgia do cargo até no corte de seus jaquetões. Se tivesse o mesmo cuidado com verbas públicas e nomeações depois que saiu do Planalto, ninguém reclamaria dele. Fernando Collor era tão jovem e ficou tão pouco tempo no cargo que era natural que quisesse disputar outras eleições. O que não precisava é que fossem tantas, desde projetos bizarros como a prefeitura de São Paulo, ao de agora, de mais uma tentativa de voltar ao governo de Alagoas. Nessa vontade de permanecer a todo custo na vida política, Itamar Franco se parece com ele. Já foi governador de Minas Gerais e, neste ano, pretende ser senador outra vez, mesmo sabendo que o tempo passa para todos.
Ainda bem que os presidentes-ditadores tiveram a boa educação de morrer. Dá para imaginar o que seria se tivessem a longevidade de um Oscar Niemeyer? Contando todos, inclusive os três da Junta Militar, até seis poderiam estar vivos, dois (Geisel e Figueiredo) provavelmente. Quantas conspirações e articulações não estariam fazendo!
E Fernando Henrique? O mais recente e mais ilustre?
Faz tempo, mas FHC já foi considerado o mais importante cientista social do País. Todos gostavam dele, alguns com a exuberância de Glauber Rocha, que o chamava de “príncipe da sociologia brasileira”. E não era só no Brasil que tinha renome. Era respeitado internacionalmente, autor de livros que marcaram mais de uma geração.
De quem esperar uma atuação notável como ex-presidente senão daquele que mais se distinguira antes de assumir o cargo? Com sua biografia, era natural esperar que estabelecesse o padrão para seus sucessores. Depois dele, todos saberiam o que era ser um ex-presidente da República.
Semana passada, Fernando Henrique publicou mais um artigo, como tem feito com frequência nos últimos meses. É sua maneira de intervir no debate sucessório, pois a campanha Serra vê com preocupação qualquer movimento seu de maior aproximação. Ela já tem problemas de sobra com a administração da imagem negativa do ex-presidente e não quer que o candidato seja ainda mais identificado com ele.
No texto, intitulado “Eleição sem maquiagem”, FHC rea-liza uma proeza de malabarismo intelectual: consegue ser, ao mesmo tempo, um sociólogo que abdicou da sociologia e um ex-presidente que não governou.
Chega a ser fascinante ver como descreve os graves riscos que confrontam hoje o Brasil, aos quais o governo Lula estaria respondendo com uma atitude de otimismo irresponsável: “Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz”. Para ele, “a encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que ela diga, especialmente o que o mercado e os parceiros internacionais querem ouvir”.
O comentário é misógino, pois ele nunca se referiria a questões de aparência se o PT tivesse um homem como candidato (por mais vaidoso e preocupado com a aparência que fosse) e não uma mulher. Seu tom choca quem conheceu o Fernando Henrique soció-logo, sempre progressista.
Mas o mais extraordinário é ver como apagou da memória o que foi seu governo e as duas eleições presidenciais que ganhou. Será que esqueceu de como aconteceu sua primeira vitória, uma avalanche provocada pelo Real- lançado 90 dias antes, naquela que foi a eleição onde fatores não políticos mais interferiram no resultado? Será que não lembra como foi a reeleição, escorada em um câmbio artificialmente mantido pelos “parceiros internacionais”, que estourou três meses depois da apuração dos votos?
É ótimo que proponha eleições sem maquiagem. Mas é impossível levá-lo a sério, enquanto não estiver disposto a enfrentar suas verdades. Como ele mesmo diz: assumir a responsabilidade pelo que fez e deixou de fazer, mais do que falar.
São Paulo e Minas Gerais
07/07/2010
São Paulo e Minas Gerais
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Para os profissionais do ramo e os interessados por política, nenhuma eleição é igual à outra, mesmo que aconteçam ao mesmo tempo. Agora, por exemplo, que teremos eleições simultâneas para cinco cargos, escolhendo seis nomes, eles são capazes de enxergar as particularidades de cada uma, percebendo as diferenças, pequenas ou grandes, que existem entre elas.
Para a maioria da população, no entanto, a política e as eleições não são coisas tão nítidas. Estão em um mundo distante, nebuloso, longe do cotidiano. Sua linguagem é monótona, repetitiva. Salvo exceções notáveis (Lula, por exemplo), seus personagens são todos parecidos, falam e fazem igual. Normalmente, as pessoas mal se lembram delas.
Até um dia em que tudo muda e as eleições invadem a vida. É quando elas chegam à televisão, inundando a programação, mudando horários e forçando a todos que se adaptem. Com centenas de candidatos tentando conquistar sua atenção, o cidadão costuma se confundir e misturar alhos com bugalhos.
Nas eleições deste ano, uma parte importante do eleitorado brasileiro será submetida a uma dificuldade adicional. Em São Paulo e em Minas Gerais, dois dos principais campos de batalha entre governo e oposição, os eleitores ouvirão mensagens dissonantes dos maiores partidos. PSDB e PT vão falar as mesmas coisas, mas vão querer que eles as entendam de maneiras diferentes.
Em São Paulo, o PSDB começa a etapa final da campanha em franca vantagem, com Geraldo Alckmin muito à frente de Aloísio Mercadante. Não quer dizer que vai ganhar, mas, se o ex-governador confirmar o favoritismo, será o quinto governo tucano em sequência no mais importante estado da federação.
O enfrentamento PSDB/PT nessas condições é uma espécie de cópia invertida da eleição presidencial. O jogo é o mesmo, mas os papeis de governo e oposição estão trocados. Por serem situação, os tucanos não acham que o estado precise de qualquer mudança. Inversamente, os petistas não querem nem ouvir falar de continuidade, sua bandeira por excelência na eleição federal. E não deixa de ser curioso observar o bailado que fazem, ora defendendo aqui o que criticam ali, ora considerando inaceitável em um nível a mesma coisa que justificam no outro.
Um jogo com componente contraditório semelhante acontece em Minas Gerais, mesmo que a disputa do PSDB não seja diretamente com o PT. No estado, a briga será entre Antonio Anastasia e Hélio Costa, do PMDB, coligado ao PT e com duas importantes lideranças petistas ao seu lado na chapa majoritária. Dessa feita, no entanto, não são os conceitos de oposição e governo que ficam embaralhados, mas os modos de posicionar os candidatos.
O PSDB mineiro não tem como escapar da valorizar a associação entre seu candidato e Aécio, pois Anastasia não tem biografia política autônoma, ainda que tenha disputado, como vice, a última eleição. Reconhecendo a popularidade do ex-governador e a boa avaliação de seu governo, a alternativa do PMDB é chamar a atenção para a biografia política e eleitoral do ex-ministro (sem descurar, é claro, de mostrá-lo ligado a Lula).
Ou seja, na hora em que começar para valer a campanha, um lado precisará ter muito cuidado para não propor, no plano estadual, o oposto do que prega no nacional. A campanha Dilma, a que mais tempo de televisão terá, vai insistir em uma argumentação que aproxima o eleitor mineiro de Anastasia. A de Serra, também poderosa, fará o inverso, jogando lenha na candidatura peemedebista.
Paradoxalmente, a campanha do PSDB para permanecer à frente dos governos estaduais em São Paulo e em Minas pode, por razões diferentes, reforçar a imagem da candidata de Lula, enquanto que as de Aloísio Mercadante e de Hélio Costa terão um simbolismo favorável a Serra.
Considerando que os dois estados, juntos, têm mais de 43 milhões de eleitores, representando, quase exatamente, um terço do eleitorado brasileiro, essas ambiguidades podem ter consequências decisivas no resultado final. É difícil antecipar o que prevalecerá, se o local sobre o nacional ou vice-versa. Mas o potencial de influência de um sobre o outro existe e é grande.
O certo é que cada campanha seguirá a lógica que todas obedecem, a de fazer o possível para vencer. Dilma vai pensar na dela, mesmo que prejudique aliados aqui ou acolá. O mesmo fará Serra. Que é o que farão as campanhas dos candidatos a governador em São Paulo e em Minas Gerais. Cada um puxando a brasa para sua sardinha.
Farinha pouca, meu pirão primeiro
São Paulo e Minas Gerais
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Para os profissionais do ramo e os interessados por política, nenhuma eleição é igual à outra, mesmo que aconteçam ao mesmo tempo. Agora, por exemplo, que teremos eleições simultâneas para cinco cargos, escolhendo seis nomes, eles são capazes de enxergar as particularidades de cada uma, percebendo as diferenças, pequenas ou grandes, que existem entre elas.
Para a maioria da população, no entanto, a política e as eleições não são coisas tão nítidas. Estão em um mundo distante, nebuloso, longe do cotidiano. Sua linguagem é monótona, repetitiva. Salvo exceções notáveis (Lula, por exemplo), seus personagens são todos parecidos, falam e fazem igual. Normalmente, as pessoas mal se lembram delas.
Até um dia em que tudo muda e as eleições invadem a vida. É quando elas chegam à televisão, inundando a programação, mudando horários e forçando a todos que se adaptem. Com centenas de candidatos tentando conquistar sua atenção, o cidadão costuma se confundir e misturar alhos com bugalhos.
Nas eleições deste ano, uma parte importante do eleitorado brasileiro será submetida a uma dificuldade adicional. Em São Paulo e em Minas Gerais, dois dos principais campos de batalha entre governo e oposição, os eleitores ouvirão mensagens dissonantes dos maiores partidos. PSDB e PT vão falar as mesmas coisas, mas vão querer que eles as entendam de maneiras diferentes.
Em São Paulo, o PSDB começa a etapa final da campanha em franca vantagem, com Geraldo Alckmin muito à frente de Aloísio Mercadante. Não quer dizer que vai ganhar, mas, se o ex-governador confirmar o favoritismo, será o quinto governo tucano em sequência no mais importante estado da federação.
O enfrentamento PSDB/PT nessas condições é uma espécie de cópia invertida da eleição presidencial. O jogo é o mesmo, mas os papeis de governo e oposição estão trocados. Por serem situação, os tucanos não acham que o estado precise de qualquer mudança. Inversamente, os petistas não querem nem ouvir falar de continuidade, sua bandeira por excelência na eleição federal. E não deixa de ser curioso observar o bailado que fazem, ora defendendo aqui o que criticam ali, ora considerando inaceitável em um nível a mesma coisa que justificam no outro.
Um jogo com componente contraditório semelhante acontece em Minas Gerais, mesmo que a disputa do PSDB não seja diretamente com o PT. No estado, a briga será entre Antonio Anastasia e Hélio Costa, do PMDB, coligado ao PT e com duas importantes lideranças petistas ao seu lado na chapa majoritária. Dessa feita, no entanto, não são os conceitos de oposição e governo que ficam embaralhados, mas os modos de posicionar os candidatos.
O PSDB mineiro não tem como escapar da valorizar a associação entre seu candidato e Aécio, pois Anastasia não tem biografia política autônoma, ainda que tenha disputado, como vice, a última eleição. Reconhecendo a popularidade do ex-governador e a boa avaliação de seu governo, a alternativa do PMDB é chamar a atenção para a biografia política e eleitoral do ex-ministro (sem descurar, é claro, de mostrá-lo ligado a Lula).
Ou seja, na hora em que começar para valer a campanha, um lado precisará ter muito cuidado para não propor, no plano estadual, o oposto do que prega no nacional. A campanha Dilma, a que mais tempo de televisão terá, vai insistir em uma argumentação que aproxima o eleitor mineiro de Anastasia. A de Serra, também poderosa, fará o inverso, jogando lenha na candidatura peemedebista.
Paradoxalmente, a campanha do PSDB para permanecer à frente dos governos estaduais em São Paulo e em Minas pode, por razões diferentes, reforçar a imagem da candidata de Lula, enquanto que as de Aloísio Mercadante e de Hélio Costa terão um simbolismo favorável a Serra.
Considerando que os dois estados, juntos, têm mais de 43 milhões de eleitores, representando, quase exatamente, um terço do eleitorado brasileiro, essas ambiguidades podem ter consequências decisivas no resultado final. É difícil antecipar o que prevalecerá, se o local sobre o nacional ou vice-versa. Mas o potencial de influência de um sobre o outro existe e é grande.
O certo é que cada campanha seguirá a lógica que todas obedecem, a de fazer o possível para vencer. Dilma vai pensar na dela, mesmo que prejudique aliados aqui ou acolá. O mesmo fará Serra. Que é o que farão as campanhas dos candidatos a governador em São Paulo e em Minas Gerais. Cada um puxando a brasa para sua sardinha.
Farinha pouca, meu pirão primeiro
O Fim da Pré-Campanha
04/07/2010
O Fim da Pré-Campanha
Correio Braziliense
Quem tinha razão era Magalhães Pinto, velha raposa política e ex-governador de Minas Gerais. A política é mesmo como nuvem. Uma hora, você olha e vê uma coisa. Olha de novo e ela já mudou.
Se estivesse vivo, seria o que ele diria sobre o período da campanha presidencial que agora se encerra. Do início de abril, quando se desincompatibilizaram os principais candidatos, ao fim de junho, quando começa a reta final da sucessão, tudo ficou diferente.
A entrada em campo de Serra era aguardada há meses. É verdade que ele teve que disputar, até dezembro, o posto de candidato com Aécio, ainda que não se preocupasse muito com as aspirações do mineiro. Estava convencido de que o PSDB terminaria por lhe entregar a vaga.
De qualquer maneira, o fato é que, desde quando Aécio saiu do páreo, nada mais restava em seu caminho. Com a candidatura assegurada, teve amplo tempo para se preparar, montar sua estratégia, organizar sua equipe. Ainda que continuasse, de janeiro a março, com suas obrigações de governo, pôde pensar com calma no que faria quando saísse do Palácio dos Bandeirantes.
Com algum retardo (que ajudou a manter o suspense sobre sua decisão até a véspera do prazo fatal), ele finalmente renunciou ao cargo de governador e virou candidato. Juntou-se a Dilma que, dias antes, havia deixado o ministério.
Entre o começo de abril e meados de maio, Serra viveu seus melhores 45 dias desde quando iniciou sua jornada em busca da Presidência. Quem tiver alguma memória se lembrará do que andaram dizendo seus correligionários e publicaram aqueles que por ele torcem na imprensa carioca e paulista.
Era como se estivesse ali começando para valer a sucessão, com um goleador nato, em momento inspirado, mostrando seu melhor futebol. Para eles, Serra fazia um gol atrás do outro, com postura serena, palavras sempre bem escolhidas, hábeis manobras.
Pelo que se lia nesses jornais, enquanto Serra conquistava novos apoios, Dilma perdia os dela. Era apenas questão de tempo até que as pesquisas assinalassem seu crescimento. Enquanto não vinham, as colunas estavam cheias de especulações sobre “pesquisas internas”, que já o mostrariam bem à frente da adversária.
Se era esse o tom da cobertura a respeito do candidato tucano, via-se o inverso no que era publicado sobre a petista. Parecia que uma desastrada havia entrado em campo, cometendo um erro depois do outro. Precipitação, amadorismo, inabilidade, incompetência, era isso que se falava dela e de sua campanha. Chegaram a dizer que Lula andava nervoso, agitado, irritadiço.
As nuvens, no entanto, mudaram. Se o sol parecia brilhar para Serra até o meio de maio, a chuva desabou de lá para cá. Viu-se que a falta de traquejo eleitoral não prejudicava Dilma. Ela cresceu nas pesquisas, suas alianças se confirmaram, outras surgiram. Gorou a esperança de que a propaganda partidária de PSDB, DEM, PPS e PTB, somadas, mudassem o panorama. Na maioria dos estados, alegrias para o governo, decepções para a oposição. Lula já não franzia mais a testa. Quando junho chegou ao fim, ele era só sorrisos.
Ficou, no entanto, para o apagar das luzes da “pré-campanha”, o pior momento. O episódio da escolha do companheiro de chapa de Serra tem tudo para entrar para a história.
Desde a quarta-feira, quando Índio da Costa foi confirmado, já se falou tanto que é até cruel insistir no assunto. Qualquer argumento em favor de seu nome chega a ser risível, desde o potencial de seus 40 anos atraírem a juventude e provocarem a reversão do voto no Sudeste, à densidade de sua biografia de “ficha limpa”.
Mas resta uma pergunta: por mais que as pessoas se julguem imortais, um candidato a presidente não tem a obrigação de raciocinar com a hipótese de vir a faltar, por qualquer motivo? Não foi, talvez, pensando assim que Collor escolheu Itamar, que Fernando Henrique convidou Marco Maciel, que Lula optou por José Alencar?
Goste-se ou não de Michel Temer, nem seus inimigos negam que tem experiência e qualificações para, se imperativo, substituir Dilma. E Índio da Costa?
O Fim da Pré-Campanha
Correio Braziliense
Quem tinha razão era Magalhães Pinto, velha raposa política e ex-governador de Minas Gerais. A política é mesmo como nuvem. Uma hora, você olha e vê uma coisa. Olha de novo e ela já mudou.
Se estivesse vivo, seria o que ele diria sobre o período da campanha presidencial que agora se encerra. Do início de abril, quando se desincompatibilizaram os principais candidatos, ao fim de junho, quando começa a reta final da sucessão, tudo ficou diferente.
A entrada em campo de Serra era aguardada há meses. É verdade que ele teve que disputar, até dezembro, o posto de candidato com Aécio, ainda que não se preocupasse muito com as aspirações do mineiro. Estava convencido de que o PSDB terminaria por lhe entregar a vaga.
De qualquer maneira, o fato é que, desde quando Aécio saiu do páreo, nada mais restava em seu caminho. Com a candidatura assegurada, teve amplo tempo para se preparar, montar sua estratégia, organizar sua equipe. Ainda que continuasse, de janeiro a março, com suas obrigações de governo, pôde pensar com calma no que faria quando saísse do Palácio dos Bandeirantes.
Com algum retardo (que ajudou a manter o suspense sobre sua decisão até a véspera do prazo fatal), ele finalmente renunciou ao cargo de governador e virou candidato. Juntou-se a Dilma que, dias antes, havia deixado o ministério.
Entre o começo de abril e meados de maio, Serra viveu seus melhores 45 dias desde quando iniciou sua jornada em busca da Presidência. Quem tiver alguma memória se lembrará do que andaram dizendo seus correligionários e publicaram aqueles que por ele torcem na imprensa carioca e paulista.
Era como se estivesse ali começando para valer a sucessão, com um goleador nato, em momento inspirado, mostrando seu melhor futebol. Para eles, Serra fazia um gol atrás do outro, com postura serena, palavras sempre bem escolhidas, hábeis manobras.
Pelo que se lia nesses jornais, enquanto Serra conquistava novos apoios, Dilma perdia os dela. Era apenas questão de tempo até que as pesquisas assinalassem seu crescimento. Enquanto não vinham, as colunas estavam cheias de especulações sobre “pesquisas internas”, que já o mostrariam bem à frente da adversária.
Se era esse o tom da cobertura a respeito do candidato tucano, via-se o inverso no que era publicado sobre a petista. Parecia que uma desastrada havia entrado em campo, cometendo um erro depois do outro. Precipitação, amadorismo, inabilidade, incompetência, era isso que se falava dela e de sua campanha. Chegaram a dizer que Lula andava nervoso, agitado, irritadiço.
As nuvens, no entanto, mudaram. Se o sol parecia brilhar para Serra até o meio de maio, a chuva desabou de lá para cá. Viu-se que a falta de traquejo eleitoral não prejudicava Dilma. Ela cresceu nas pesquisas, suas alianças se confirmaram, outras surgiram. Gorou a esperança de que a propaganda partidária de PSDB, DEM, PPS e PTB, somadas, mudassem o panorama. Na maioria dos estados, alegrias para o governo, decepções para a oposição. Lula já não franzia mais a testa. Quando junho chegou ao fim, ele era só sorrisos.
Ficou, no entanto, para o apagar das luzes da “pré-campanha”, o pior momento. O episódio da escolha do companheiro de chapa de Serra tem tudo para entrar para a história.
Desde a quarta-feira, quando Índio da Costa foi confirmado, já se falou tanto que é até cruel insistir no assunto. Qualquer argumento em favor de seu nome chega a ser risível, desde o potencial de seus 40 anos atraírem a juventude e provocarem a reversão do voto no Sudeste, à densidade de sua biografia de “ficha limpa”.
Mas resta uma pergunta: por mais que as pessoas se julguem imortais, um candidato a presidente não tem a obrigação de raciocinar com a hipótese de vir a faltar, por qualquer motivo? Não foi, talvez, pensando assim que Collor escolheu Itamar, que Fernando Henrique convidou Marco Maciel, que Lula optou por José Alencar?
Goste-se ou não de Michel Temer, nem seus inimigos negam que tem experiência e qualificações para, se imperativo, substituir Dilma. E Índio da Costa?
Mudar ou Continuar
30/06/2010
Mudar ou Continuar
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Já faz algum tempo, começou a se generalizar no meio político a convicção de que Dilma vai ganhar as eleições. Embora nem todos admitam, é o que pensam até as principais lideranças da oposição, assim como a quase totalidade dos formadores de opinião e da imprensa. Para consumo externo, continuam a dizer que o processo está aberto, que nada está definido. Mas não é o que, no íntimo, acreditam que vai acontecer.
Do lado governista, nem se fala. Não é de agora que os principais estrategistas do Planalto e do PT trabalham com o cenário de crescimento e vitória da candidata de Lula. A rigor, é nisso que apostam desde 2008, quando o presidente deixou claras duas coisas: que ele próprio não tentaria mudar as regras do jogo para disputar um terceiro mandato; e que achava que conseguiria ganhar as eleições através de alguém que o representasse.
Tudo que está acontecendo na sua sucessão, até o momento, confirma seu cálculo. Ele não se baseava no que diziam as pesquisas sobre as intenções de voto do conjunto do eleitorado. Ao contrário, o raciocínio sempre foi sobre o potencial de crescimento de uma candidatura identificada com ele e o governo, avaliados, pela grande maioria da população, como ótimos ou bons.
Nunca foi relevante considerar os resultados agregados das pesquisas (que são os que a imprensa normalmente divulga), pois misturavam respostas de quem sabia e quem não sabia qual era a candidatura apoiada por Lula. Enquanto não aumentasse a proporção dos que tinham essa informação, a vantagem de Serra era ilusória e não preocupava quem, no PT, sabia fazer as contas.
É de se notar que, na oposição, as pessoas pensaram de maneira oposta. A opção por Serra, em detrimento de Aécio, mostrou que ela preferia escolher em função do desempenho presente dos pré-candidatos, deixando em segundo plano seu potencial de crescimento. Serra prevaleceu pelo patamar de largada, não pela perspectiva de chegada.
Há quem defenda que é cedo para decretar que a eleição está resolvida. De fato, é preciso admitir que muita água ainda pode rolar por baixo da ponte. Não é impossível que Dilma, sua campanha, seus apoiadores e o vasto conjunto de forças políticas mobilizadas para elegê-la cometam erros calamitosos. É, apenas, pouco provável.
Em função da possibilidade cada vez mais concreta de que Dilma venha a ganhar (talvez já no primeiro turno), alguns setores da oposição andam à cata de novos argumentos, para tentar convencer os eleitores a mudar de ideia. Um dos mais engraçados tem a ver com o conceito de alternância do poder.
Trata-se da tese de que é bom, para a democracia, que as eleições ensejem a mudança do partido ou coalizão que está no poder, assim permitindo que ocorra uma salutar alternância de pontos de vista e prioridades. A continuidade seria ruim, ao impedir que novas agendas sejam discutidas e que outras políticas, mais adequadas a um novo momento, sejam formuladas.
O ápice dessa argumentação aconteceu outro dia, quando uma importante revista semanal entrevistou o candidato do PSDB e perguntou “porque é positivo”, para “a democracia brasileira”, experimentar “uma alternância de poder depois de 8 anos de governo Lula”.
Difícil imaginar algo mais sem sentido, a começar pelo fato da pergunta ser feita ao candidato interessado na alternância. É o mesmo que perguntar ao macaco se quer banana. Ou alguém supõe que Serra diria que o melhor, para o país, é a continuidade?
Mas o importante não é isso. A democracia não está na ideia abstrata de alternância. Para o ideal democrático, o relevante não é o conteúdo da escolha. Tanto faz que os cidadãos prefiram continuar ou mudar. O que torna uma sociedade democrática é haver instituições que assegurem, a cada cidadão, a possibilidade real de escolher.
Se a maioria da sociedade brasileira quer a continuidade e vota Dilma, é bom que todos se acostumem, incluindo os que querem a alternância. Em si, ela só é importante como uma possibilidade. Se não, nem seria preciso haver eleições. Bastaria trocar o governo a cada período estipulado. (O problema é que ninguém saberia como fazê-lo.)
Mudar ou Continuar
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Já faz algum tempo, começou a se generalizar no meio político a convicção de que Dilma vai ganhar as eleições. Embora nem todos admitam, é o que pensam até as principais lideranças da oposição, assim como a quase totalidade dos formadores de opinião e da imprensa. Para consumo externo, continuam a dizer que o processo está aberto, que nada está definido. Mas não é o que, no íntimo, acreditam que vai acontecer.
Do lado governista, nem se fala. Não é de agora que os principais estrategistas do Planalto e do PT trabalham com o cenário de crescimento e vitória da candidata de Lula. A rigor, é nisso que apostam desde 2008, quando o presidente deixou claras duas coisas: que ele próprio não tentaria mudar as regras do jogo para disputar um terceiro mandato; e que achava que conseguiria ganhar as eleições através de alguém que o representasse.
Tudo que está acontecendo na sua sucessão, até o momento, confirma seu cálculo. Ele não se baseava no que diziam as pesquisas sobre as intenções de voto do conjunto do eleitorado. Ao contrário, o raciocínio sempre foi sobre o potencial de crescimento de uma candidatura identificada com ele e o governo, avaliados, pela grande maioria da população, como ótimos ou bons.
Nunca foi relevante considerar os resultados agregados das pesquisas (que são os que a imprensa normalmente divulga), pois misturavam respostas de quem sabia e quem não sabia qual era a candidatura apoiada por Lula. Enquanto não aumentasse a proporção dos que tinham essa informação, a vantagem de Serra era ilusória e não preocupava quem, no PT, sabia fazer as contas.
É de se notar que, na oposição, as pessoas pensaram de maneira oposta. A opção por Serra, em detrimento de Aécio, mostrou que ela preferia escolher em função do desempenho presente dos pré-candidatos, deixando em segundo plano seu potencial de crescimento. Serra prevaleceu pelo patamar de largada, não pela perspectiva de chegada.
Há quem defenda que é cedo para decretar que a eleição está resolvida. De fato, é preciso admitir que muita água ainda pode rolar por baixo da ponte. Não é impossível que Dilma, sua campanha, seus apoiadores e o vasto conjunto de forças políticas mobilizadas para elegê-la cometam erros calamitosos. É, apenas, pouco provável.
Em função da possibilidade cada vez mais concreta de que Dilma venha a ganhar (talvez já no primeiro turno), alguns setores da oposição andam à cata de novos argumentos, para tentar convencer os eleitores a mudar de ideia. Um dos mais engraçados tem a ver com o conceito de alternância do poder.
Trata-se da tese de que é bom, para a democracia, que as eleições ensejem a mudança do partido ou coalizão que está no poder, assim permitindo que ocorra uma salutar alternância de pontos de vista e prioridades. A continuidade seria ruim, ao impedir que novas agendas sejam discutidas e que outras políticas, mais adequadas a um novo momento, sejam formuladas.
O ápice dessa argumentação aconteceu outro dia, quando uma importante revista semanal entrevistou o candidato do PSDB e perguntou “porque é positivo”, para “a democracia brasileira”, experimentar “uma alternância de poder depois de 8 anos de governo Lula”.
Difícil imaginar algo mais sem sentido, a começar pelo fato da pergunta ser feita ao candidato interessado na alternância. É o mesmo que perguntar ao macaco se quer banana. Ou alguém supõe que Serra diria que o melhor, para o país, é a continuidade?
Mas o importante não é isso. A democracia não está na ideia abstrata de alternância. Para o ideal democrático, o relevante não é o conteúdo da escolha. Tanto faz que os cidadãos prefiram continuar ou mudar. O que torna uma sociedade democrática é haver instituições que assegurem, a cada cidadão, a possibilidade real de escolher.
Se a maioria da sociedade brasileira quer a continuidade e vota Dilma, é bom que todos se acostumem, incluindo os que querem a alternância. Em si, ela só é importante como uma possibilidade. Se não, nem seria preciso haver eleições. Bastaria trocar o governo a cada período estipulado. (O problema é que ninguém saberia como fazê-lo.)
Para onde apontam os números
24/06/2010
Para onde apontam os números
Marcos Coimbra
Saiu uma nova pesquisa nacional do Ibope, que confirma as que foram feitas recentemente pela Vox Populi e pela Sensus. Os dois institutos já antecipavam o que agora indica o Ibope, talvez por utilizarem amostras mais sensíveis.
Nessa pesquisa, a vantagem de Dilma sobre Serra - ela com 40% das intenções de voto, ele com 35% - é ainda pequena, perto da margem de erro de 2 pontos percentuais, se raciocinarmos com o pior cenário para a candidata do PT (no qual ela teria 38%) e o melhor para o do PSDB (em que ele ficaria com 37%). Como essa conjugação é pouco provável, o mais certo é afirmar que ela assume a dianteira, mas sem se distanciar do adversário. Se fosse só isso, caberia apenas dizer que a pesquisa é boa para Dilma.
Na verdade, porém, ela é melhor do que parece à primeira vista, o que permite dizer que é muito favorável à petista.
De um lado, ela mostra que Dilma continua a crescer tirando votos de Serra, em um processo análogo ao que a matemática chama "jogo de soma-zero".Nele, o ganho de um é idêntico ao prejuízo do outro, o que produz um saldo sempre nulo: mais cinco menos cinco é igual a zero.
Na política, isso acontece quando só existem dois candidatos de direito (por exemplo, no segundo turno) ou de fato (como está ocorrendo agora, quando perto de 80% dos eleitores ficam entre Dilma e Serra). Somente 20% ainda não sabem o que farão ou pensam fazer diferente: votar em outros nomes, anular ou deixar em branco. Como quase não há alterações nos nulos e brancos e Marina não se mexe, permanecendo estacionada nas pesquisas de todos os institutos há algum tempo, as únicas mudanças se dão entre as pessoas que saem de Serra e vão para Dilma (ou vice-versa, mas em proporção muito menor).
Quanto à pequena indecisão residual no voto estimulado, ela decorre da dificuldade que as campanhas têm de atingir algumas faixas do eleitorado refratárias à comunicação política, formadas por eleitores que podem, em muitos casos, continuar tão indecisos até o final que sequer comparecerão para votar.
Para Dilma, o bom, nesse processo, é que, a cada deslocamento de eleitores de Serra para ela, os números dobram. Por exemplo: se Serra perder outros três pontos e ela os receber, a distância entre os dois subirá seis pontos.
Se, então, estiver em curso (como parece) essa tendência, a perspectiva de vitória da candidata do PT no primeiro turno se torna concreta, mesmo imaginando que Marina não mingue e até cresça um pouco. Quanto aos nanicos, alguns respeitáveis, tudo indica que a possibilidade de crescimento é remota.
A segunda razão da nova pesquisa do Ibope ser tão favorável a Dilma é o período de realização. Seu campo foi iniciado no dia seguinte à veiculação do programa do PSDB em rede nacional e prosseguiu enquanto estavam no ar suas inserções, logo após a propaganda do DEM e do PPS, igualmente dedicadas a Serra. O fato de toda essa mídia não ter conseguido, ao que parece, provocar o aumento de suas intenções de voto, era previsível, mas veio como ducha de água fria naqueles que torciam para que melhorassem.
Não havia, no entanto, maiores motivos para imaginar que Serra iria crescer. Como acontecera no fim de 2009 em situação semelhante (quando ele coestrelou com Aécio a propaganda tucana, sem subir), voltamos a ver que seu nível de conhecimento é tão elevado que ele não ganha quando seu tempo de televisão aumenta. Em linguagem publicitária: sua imagem parece ter atingido o ponto de saturação, a partir do qual novos investimentos em propaganda apresentam retorno decrescente ou, quem sabe, negativo (quando há risco de perda de imagem com mais exposição).
Na interpretação amiga de quem deseja que ele vença, houve quem dissesse que foi a Copa do Mundo que o prejudicou, como se o interesse por ela fizesse com que a opinião pública ficasse indiferente à comunicação política enquanto a bola rola. A tese seria admissível se não fosse contrariada por tudo o que conhecemos de eleições passadas, como a de 2002, quando Ciro Gomes cresceu mais de 15 pontos em plena Copa, impulsionado pela propaganda partidária que, desta feita, não ajudou Serra.
Com a perspectiva de encerramento da fase de pré-campanha com Dilma em clara dianteira, a eleição pode se encaminhar para uma definição antecipada: talvez comecemos a etapa final, da propaganda na televisão e no rádio, com a eleição resolvida na cabeça da maioria dos eleitores. Para que isso se confirme, falta pouco.
Para onde apontam os números
Marcos Coimbra
Saiu uma nova pesquisa nacional do Ibope, que confirma as que foram feitas recentemente pela Vox Populi e pela Sensus. Os dois institutos já antecipavam o que agora indica o Ibope, talvez por utilizarem amostras mais sensíveis.
Nessa pesquisa, a vantagem de Dilma sobre Serra - ela com 40% das intenções de voto, ele com 35% - é ainda pequena, perto da margem de erro de 2 pontos percentuais, se raciocinarmos com o pior cenário para a candidata do PT (no qual ela teria 38%) e o melhor para o do PSDB (em que ele ficaria com 37%). Como essa conjugação é pouco provável, o mais certo é afirmar que ela assume a dianteira, mas sem se distanciar do adversário. Se fosse só isso, caberia apenas dizer que a pesquisa é boa para Dilma.
Na verdade, porém, ela é melhor do que parece à primeira vista, o que permite dizer que é muito favorável à petista.
De um lado, ela mostra que Dilma continua a crescer tirando votos de Serra, em um processo análogo ao que a matemática chama "jogo de soma-zero".Nele, o ganho de um é idêntico ao prejuízo do outro, o que produz um saldo sempre nulo: mais cinco menos cinco é igual a zero.
Na política, isso acontece quando só existem dois candidatos de direito (por exemplo, no segundo turno) ou de fato (como está ocorrendo agora, quando perto de 80% dos eleitores ficam entre Dilma e Serra). Somente 20% ainda não sabem o que farão ou pensam fazer diferente: votar em outros nomes, anular ou deixar em branco. Como quase não há alterações nos nulos e brancos e Marina não se mexe, permanecendo estacionada nas pesquisas de todos os institutos há algum tempo, as únicas mudanças se dão entre as pessoas que saem de Serra e vão para Dilma (ou vice-versa, mas em proporção muito menor).
Quanto à pequena indecisão residual no voto estimulado, ela decorre da dificuldade que as campanhas têm de atingir algumas faixas do eleitorado refratárias à comunicação política, formadas por eleitores que podem, em muitos casos, continuar tão indecisos até o final que sequer comparecerão para votar.
Para Dilma, o bom, nesse processo, é que, a cada deslocamento de eleitores de Serra para ela, os números dobram. Por exemplo: se Serra perder outros três pontos e ela os receber, a distância entre os dois subirá seis pontos.
Se, então, estiver em curso (como parece) essa tendência, a perspectiva de vitória da candidata do PT no primeiro turno se torna concreta, mesmo imaginando que Marina não mingue e até cresça um pouco. Quanto aos nanicos, alguns respeitáveis, tudo indica que a possibilidade de crescimento é remota.
A segunda razão da nova pesquisa do Ibope ser tão favorável a Dilma é o período de realização. Seu campo foi iniciado no dia seguinte à veiculação do programa do PSDB em rede nacional e prosseguiu enquanto estavam no ar suas inserções, logo após a propaganda do DEM e do PPS, igualmente dedicadas a Serra. O fato de toda essa mídia não ter conseguido, ao que parece, provocar o aumento de suas intenções de voto, era previsível, mas veio como ducha de água fria naqueles que torciam para que melhorassem.
Não havia, no entanto, maiores motivos para imaginar que Serra iria crescer. Como acontecera no fim de 2009 em situação semelhante (quando ele coestrelou com Aécio a propaganda tucana, sem subir), voltamos a ver que seu nível de conhecimento é tão elevado que ele não ganha quando seu tempo de televisão aumenta. Em linguagem publicitária: sua imagem parece ter atingido o ponto de saturação, a partir do qual novos investimentos em propaganda apresentam retorno decrescente ou, quem sabe, negativo (quando há risco de perda de imagem com mais exposição).
Na interpretação amiga de quem deseja que ele vença, houve quem dissesse que foi a Copa do Mundo que o prejudicou, como se o interesse por ela fizesse com que a opinião pública ficasse indiferente à comunicação política enquanto a bola rola. A tese seria admissível se não fosse contrariada por tudo o que conhecemos de eleições passadas, como a de 2002, quando Ciro Gomes cresceu mais de 15 pontos em plena Copa, impulsionado pela propaganda partidária que, desta feita, não ajudou Serra.
Com a perspectiva de encerramento da fase de pré-campanha com Dilma em clara dianteira, a eleição pode se encaminhar para uma definição antecipada: talvez comecemos a etapa final, da propaganda na televisão e no rádio, com a eleição resolvida na cabeça da maioria dos eleitores. Para que isso se confirme, falta pouco.
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