20/12/2009
Serra candidato
Pacificado seu lado, o sonho de Lula ficou mais próximo com a decisão de Aécio. Para quem queria que a eleição de 2010 se tornasse um plebiscito entre ele e Fernando Henrique, tudo se encaixa
Em um desfecho há muito antecipado, Aécio Neves resolveu retirar seu nome da disputa pela candidatura tucana à Presidência da República. Usando do argumento da preservação da unidade partidária, deixou claro que vai concentrar seu tempo em 2010 na busca de dois objetivos: ganhar uma das vagas no Senado e contribuir para a vitória de seu candidato ao governo do estado, Antonio Augusto Anastasia.
Com essa decisão, a eleição volta ao ponto em que estava há dois anos. O quadro que tínhamos no final de 2007, de um enfrentamento entre Serra e a candidata de Lula, fica confirmado, depois de várias idas e vindas.
Entre 2007 e agora, pudemos ver dois processos em ação, com sentidos opostos. Do lado do PSDB, a inevitabilidade da candidatura de Serra passou a ser questionada pela atuação de Aécio e, daí em diante, por outras correntes da oposição. Especialmente depois das eleições municipais de 2008, a tese das prévias partidárias, nas quais as bases do PSDB seriam chamadas a participar da escolha do candidato a presidente, foi o mote.
Mesmo quando elas se revelaram operacionalmente inviáveis, Aécio continuou empenhado em fazer com que o partido deixasse a escolha em aberto. Era ele quem desejava os encontros regionais que os dois fizeram.
Do lado do PT, outra inevitabilidade, essa sem ninguém que a criticasse (pelo menos em público), a candidatura de Dilma. Alguém se lembra de quando um grupo de “petistas representativos” divulgou um quase manifesto de repúdio à imposição, goela abaixo, do nome da ministra? Foi em maio de 2008, mas parece que foi há um século.
O curioso desse período é que a maioria das oposições aceitou que a candidatura de Serra não era inexorável, sem, no entanto, discutir se a melhor estratégia era mesmo que marchassem todas com um só nome. Qual a necessidade de pensar a eleição como se tivesse apenas um turno, se, no nosso sistema, o eleitor entende bem a lógica dos reposicionamentos que acontecem no segundo?
A única razão para isso seria estarem convencidas de que venceriam logo no dia 3 de outubro de 2010, daí que poderiam poupar-se do trabalho de fazer o novo turno. De onde teriam tirado essa certeza é que é a pergunta.
No campo governista, nenhuma dúvida sobre o nome do PT, mas intensas movimentações de pré-candidatos dos demais partidos. Ao longo de 2009, houve momentos em que chegamos a discutir cenários com diversas outras opções, que poderiam vir do PSB, PDT, PMDB, PP ou PR. Isso para não falar dos egressos do PT e do governo Lula, como Marina Silva e Heloísa Helena.
Neste fim de ano, Lula parece muito perto do sucesso no segundo desafio que tinha quando imaginou a candidatura de Dilma. Vencidas, com facilidade, as resistências internas e quase todas as externas, só falta resolver como fica Ciro Gomes na equação. Coisa que não será difícil, pois o deputado tem dito que fará o que for melhor para que Serra não vença.
Pacificado seu lado, o sonho de Lula ficou mais próximo com a decisão de Aécio. Para quem queria que a eleição de 2010 se tornasse um plebiscito entre ele e Fernando Henrique, tudo se encaixa.
É claro que Lula preferiria um adversário mais fraco e com imagem pior que Serra. Escolhê-lo, no entanto, não estava ao seu alcance. Mas foi pensando nele que toda sua estratégia foi montada. Vem aí o plebiscito, algo que só pode deixá-lo contente, pois era o que buscava.
O que tivemos até agora, é bom lembrar, foi um pronunciamento de Aécio, ao qual Serra respondeu com cumprimentos protocolares. Nenhum sinal de que, agora, assumiu de verdade sua candidatura. Quando é que tomará a decisão? E qual será?
Enfim, pronunciamentos de dezembro são pronunciamentos de dezembro. Depois, tem janeiro, fevereiro, março....
domingo, 19 de setembro de 2010
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